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Quanta proteína comer usando tirzepatida ou semaglutida?

Dr. Ricardo Bizeli
4 de set.
5 min de leitura

Atualizado: há 5 dias


Uma moça fazendo as contas de proteína na refeição sentada em uma mesa com vários alimentos

Existe uma ironia cruel no tratamento com caneta emagrecedora: é justamente no período em que você mais precisa de proteína que fica mais difícil comê-la.

A necessidade sobe porque o corpo está em déficit calórico e precisa de aminoácidos para não sacrificar músculo. E a dificuldade sobe porque o apetite despencou — cabe pouca comida, e a proteína costuma ser o primeiro item a ficar de fora do prato.

Este texto é sobre resolver esse conflito.


Por que a necessidade aumenta durante o emagrecimento


Quando você come menos do que gasta, o organismo procura energia onde encontra. Gordura é a fonte que você quer que ele use. Massa magra é a que ele usa também, se você permitir.

A proteína da dieta é o principal sinal de "não desmonte o músculo". Quando ela chega em quantidade adequada e de forma distribuída ao longo do dia, o corpo tem matéria-prima para reparar e manter o tecido muscular. Quando não chega, ele recorre ao próprio músculo.

Por isso a recomendação em fase de emagrecimento é maior do que a de uma pessoa em manutenção de peso. Não é excesso, é proteção.


O que define a sua quantidade


Não existe um número universal, e desconfie de quem der um. O seu depende de:

  • Peso corporal — e, mais precisamente, da sua massa magra, e não do peso total.

  • Idade — a partir dos 50, 60 anos, a necessidade tende a ser maior, porque a resposta do músculo ao estímulo da proteína diminui.

  • Nível de atividade — quem faz treino de força precisa de mais do que quem é sedentário.

  • Função renal — este é o ponto que exige avaliação médica antes de aumentar a proteína, especialmente em quem tem diabetes de longa data ou alteração prévia de função dos rins.

  • Velocidade da perda de peso — quanto mais rápida, maior o risco de perda muscular e maior a necessidade de proteção.

Geralmente, recomendo um mínimo de 1,0-1,2 g/kg/dia de proteína. Após se acostumar com essa meta, progredir até 1,6g/kg/dia

O que vale para todo mundo: a quantidade que você come hoje, usando caneta, provavelmente está abaixo da que você precisa — e a maioria das pessoas superestima bastante o quanto ingere.


Distribuir importa tanto quanto o total


Este é o erro mais comum, e o mais invisível.

Concentrar quase toda a proteína no almoço e comer pouquíssima no café e no jantar não produz o mesmo efeito que distribuí-la ao longo do dia — mesmo que o total no fim das contas seja o mesmo. O músculo responde melhor a estímulos repetidos do que a um único estímulo grande.

Na prática: proteína em todas as refeições, inclusive no café da manhã, que costuma ser a refeição mais pobre em proteína na dieta brasileira típica — pão, café, às vezes uma fruta.


Quanta proteína tem no que você já come


Valores aproximados, em medidas caseiras. Servem para você calibrar a percepção — os números exatos do seu prato estão no banco de dados do app.


Alimento

Medida

Proteína aprox.

Ovo

1 unidade

6 g

Peito de frango grelhado

100 g (1 filé médio)

30 g

Patinho ou coxão mole grelhado

100 g

30 g

Tilápia ou merluza

100 g

26 g

Atum em lata, drenado

1 lata

25 g

Iogurte natural

1 pote (170 g)

9 g

Iogurte grego tradicional

1 pote

15 g

Queijo minas frescal

1 fatia

5 g

Leite

1 copo (200 ml)

6 g

Feijão cozido

1 concha

5 g

Lentilha cozida

1 xícara

18 g

Pasta de amendoim integral

1 colher de sopa

4 g

Whey protein

1 dose

20 a 25 g

Olhando essa tabela, fica claro por que tanta gente não bate a meta: um café da manhã de pão com café tem praticamente zero, e uma salada com "um pouquinho de frango" tem muito menos do que aparenta.


Cinco estratégias para quem está sem fome


1. Proteína primeiro, sempre. Comece a refeição pela fonte proteica, antes de ocupar o pouco espaço disponível com arroz, pão ou salada. Se você só conseguir comer metade do prato, que a metade comida seja a que importa.

2. Prefira formas mais densas. Com apetite reduzido, o volume é inimigo. Um filé de frango entrega muito mais proteína por garfada do que uma sopa ou uma salada volumosa.

3. Use fontes líquidas quando a comida sólida não desce. Iogurte, leite, bebidas proteicas e shakes passam melhor em dias de náusea ou de saciedade precoce — efeitos comuns, sobretudo após aumento de dose.

4. Reforce o café da manhã. É a refeição em que a maioria tem mais apetite durante o tratamento, e é a que costuma ter menos proteína. Ovo, iogurte ou queijo no café resolvem boa parte do déficit do dia.

5. Acompanhe em tempo real, não no fim do dia. Descobrir às 22h que você comeu metade da proteína necessária não resolve nada. Saber às 15h que ainda faltam 40 g permite ajustar o jantar. Essa é a diferença entre medir e apenas conferir.


E o suplemento?


Whey protein e similares são alimentos, não medicamentos, e podem ser úteis exatamente nesse contexto: entregam bastante proteína em pouco volume, o que resolve o problema central de quem está sem apetite.

Dito isso, suplemento é complemento — o nome já diz. Ele entra quando a alimentação, mesmo bem organizada, não fecha a conta. Não substitui comida de verdade nem compensa uma dieta desestruturada. E, como qualquer aumento significativo de proteína, merece uma conversa com seu médico se você tem alteração de função renal.


O resumo


Durante o tratamento com caneta, proteína deixa de ser um https://www.dietaonline.net/post/como-parar-tirzepatida-sem-recuperar-pesodetalhe da dieta e passa a ser o principal item de proteção do seu resultado. É ela que determina se o peso que você perde vem de gordura ou vem de músculo — e, portanto, se o seu metabolismo vai sair desse processo melhor ou pior do que entrou.

A quantidade certa é a que você definir com seu médico. A parte que depende só de você é mais simples: coloque proteína em todas as refeições, comece por ela no prato e acompanhe ao longo do dia, enquanto ainda dá tempo de corrigir.


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Dr. Ricardo Bizeli Endocrinologista — CRM-PR 19849 Clínica do Metabolismo

Este conteúdo tem caráter informativo e educacional. Não realiza diagnóstico, não prescreve tratamento e não substitui a consulta com seu médico ou nutricionista. Alterações significativas na ingestão de proteína devem ser avaliadas individualmente, sobretudo em pessoas com alteração da função renal

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